Fundação Volkswagen debate questões urbanas na 2ª Jornada do Conhecimento

Ana Carla Fonseca e Daniela Coimbra Swiatek dialogaram sobre cidades inteligentes, criativas e sustentáveis
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No dia 6 de dezembro, a Fundação Volkswagen realizou a 2ª edição das Jornadas do Conhecimento, em São Paulo (SP). Ana Carla Fonseca (Doutora em Urbanismo pela USP e assessora para a ONU) e Daniela Coimbra Swiatek (Doutora pela Universidade de Economia de Viena e cofundadora do MobiLab, o Laboratório de Inovação em Mobilidade da Prefeitura de São Paulo) dialogaram a respeito das cidades inteligentes, criativas e sustentáveis, refletindo sobre como o investimento social privado pode contribuir para os desafios urbanos no século XXI.

O bate-papo reuniu cerca de 60 pessoas – entre representantes do terceiro setor, da sociedade civil e do poder público, educadores e universitários – e foi mediado por Sabrina Leme, especialista em soluções para cidades e consultora em mobilidade. As Jornadas do Conhecimento têm como objetivo juntar especialistas para discutirem temas relacionados às suas áreas de investimento social (educação e desenvolvimento de comunidades) e às causas apoiadas pela Fundação Volkswagen: mobilidade urbana, mobilidade social e inclusão de pessoas com deficiência.

O evento foi aberto por Daniela de Avilez Demôro, Superintendente da Fundação e Diretora de Assuntos Jurídicos da Volkswagen do Brasil: “Refletir sobre as cidades envolve questões complexas e estimulantes, como o incentivo a novas tecnologias e à inovação; a valorização da cultura, da criatividade e do empreendedorismo; mobilidade; infraestrutura acessível; economia compartilhada; e proteção do meio ambiente”.

“Mais ainda, essa inteligência deve colaborar para a redução das desigualdades e a promoção da qualidade de vida e do bem-estar da população. Afinal, cidades inteligentes, criativas e sustentáveis são aquelas pensadas pelas pessoas e para as pessoas, numa perspectiva ampla e para todos”, afirmou a Superintendente da Fundação Volkswagen.

Na sequência, Sabrina Leme deu início ao bate-papo, interagindo com o público sobre o tema principal da Jornada: “Como chegamos até aqui – a pé, de metrô, de carro, de bicicleta ou combinando esses diferentes modais? De onde viemos – da capital, da região metropolitana, de outras cidades? O que é a cidade para cada um de nós? Como estabelecemos nossas relações com ela? Afinal, cidades inteligentes e criativas são feitas, antes de tudo, pelas pessoas”.

Em sua primeira reflexão, Ana Carla Fonseca revelou que “há 20 anos, não se falava tanto em cidades como se fala hoje. Não por acaso, se não resolvermos desde já os principais desafios urbanos, teremos um grande problema no futuro. As cidades devem ser vistas como um manancial de soluções, talentos e diversidade. Quando pensamos em cidades inteligentes, criativas e sustentáveis, precisamos pensar na qualidade de vida e na felicidade da população”.

Daniela Coimbra Swiatek, por sua vez, destacou as diferenças entre os gêneros nos deslocamentos: “Além da renda e da escolaridade, o gênero interfere diretamente na mobilidade. As mulheres costumam se deslocar mais, principalmente no transporte público. Limitar os modos de deslocamento significa, na prática, limitar as oportunidades que as cidades oferecem, sejam de trabalho ou lazer. As cidades inteligentes e criativas devem ser para todos: homens, mulheres, idosos, pessoas com deficiência. Por isso, as políticas públicas devem se basear em dados e evidências e olhar para os grupos mais vulneráveis”.

Entre os temas debatidos ao longo do evento, estiveram a conexão afetiva e criativa com as cidades, a necessidade de se pensar o espaço urbano de modo integrado e não como ilhas fragmentadas e a importância da colaboração entre o poder público, as empresas e o terceiro setor. Além disso, aspectos relacionados à mobilidade urbana e social, ao futuro do trabalho, à tecnologia e ao uso de dados abertos também pautaram as reflexões que marcaram esta Jornada do Conhecimento.

Para a cofundadora do MobiLab, “muita da nossa conexão com a cidade tem a ver com a mobilidade. Além disso, há uma grande distância entre o governo – responsável pelo planejamento urbano – e a realidade da população. Nesse sentido, as startups podem contribuir para trazer soluções inovadoras para o poder público. Para isso, ainda há muitos desafios e entraves legais e jurídicos a serem superados”.

“A inovação só acontece, de fato, quando estamos abertos a ela e desconstruímos certezas. A cidade do futuro não deve ser excludente e deve agregar diferentes atores, incluindo empresas e fundações. Precisamos, sobretudo, pensar as cidades com empatia”, afirmou Daniela Swiatek.

Segundo Ana Carla Fonseca, “as instituições privadas estão cada vez mais conectadas com a realidade em que atuam e também dependem da inovação. Mais do que isso, temos que ter em mente que todos nós fazemos a diferença. Outro ponto importante e necessário é o resgate do papel da cidade como espaço educador”.

“Cada vez mais, as cidades devem ser vistas como plataformas de estímulo às habilidades do futuro – entre as quais a criatividade. As tecnologias têm que incentivar, e não substituir, aquilo que temos de mais humano, que são essas habilidades. A cidade criativa é aquela que se reinventa continuamente, à luz de seu contexto. Inovação passa a ser inovação quando o outro também dá valor a ela”, concluiu Ana Carla.

Assista abaixo à íntegra do bate-papo ou acesse nosso canal do YouTube. Mais informações na página do evento.

Cidades inteligentes, criativas e sustentáveis

Estudos feitos pela Organização das Nações Unidas (ONU) preveem que, em 2045, a população urbana ultrapasse 6 bilhões de habitantes em todo o mundo. Na metade deste século, cerca de 70% das pessoas viverão em cidades. Esses dados evidenciam os grandes desafios que o planeta terá de superar para tornar as metrópoles espaços mais sustentáveis e inclusivos. Realidade que já se faz presente, principalmente no contexto brasileiro.

Pensar em cidades mais inteligentes e criativas significa considerar a importância do desenvolvimento tecnológico, da inovação e da cultura para impulsionar núcleos urbanos que ofereçam qualidade de vida para a população. Isso inclui, por exemplo, investimentos em mobilidade, infraestrutura e economia compartilhada, de modo a valorizar a criatividade, o empreendedorismo e o bem-estar social, sem descuidar da proteção ao meio ambiente.

 
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