Fundação Volkswagen realiza a 1ª Jornada do Conhecimento, voltada à BNCC

Renato Janine Ribeiro e Mozart Neves Ramos dialogaram sobre a Base Nacional Comum Curricular
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Da esquerda para a direita: Renato Janine Ribeiro, Flávia Yuri Oshima e Mozart Neves Ramos

No dia 11 de outubro, a Fundação Volkswagen realizou a 1ª edição das Jornadas do Conhecimento, em São Paulo (SP). Renato Janine Ribeiro (ex-Ministro da Educação e Professor Titular da Universidade de São Paulo) e Mozart Neves Ramos (Diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna) dialogaram sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, a partir de um olhar para as competências.

O bate-papo reuniu cerca de 60 pessoas – entre educadores, universitários e representantes do terceiro setor – e foi mediado pela jornalista Flávia Yuri Oshima. As Jornadas do Conhecimento têm como objetivo juntar especialistas para discutirem temas relacionados às suas áreas de investimento social (educação e desenvolvimento de comunidades) e às causas apoiadas pela Fundação Volkswagen.

O evento foi aberto por Daniela de Avilez Demôro, Superintendente da Fundação e Diretora de Assuntos Jurídicos da Volkswagen do Brasil. Em sua fala de boas-vindas, ela destacou a importância da BNCC como o documento que define as aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver durante a Educação Básica.

Além disso, anunciou que a Fundação está investindo R$ 3 milhões para apoiar o poder público na implantação da Base até 2020. “O montante é uma contrapartida aos recursos do BNDES direcionados à Volkswagen do Brasil e será aplicado em parceria com o Instituto Ayrton Senna”, revelou Daniela Demôro.

Na sequência, a jornalista Flávia Oshima deu início ao bate-papo, enfatizando a relevância do recorte proposto para a Jornada: “As competências são consideradas a parte mais inovadora da Base Nacional Comum Curricular. É a primeira vez que explicitamos as habilidades fundamentais que os alunos devem desenvolver, independentemente do componente curricular”.

Em sua primeira reflexão, Mozart Neves Ramos revelou que “várias empresas e organizações estão à procura de profissionais com habilidades e competências cognitivas e socioemocionais – como pensamento crítico e criatividade – que permitam transformações efetivas na sociedade. Mais do que isso, como preconiza a Constituição, a educação deve promover o desenvolvimento pleno das pessoas”.

Renato Janine Ribeiro, por sua vez, evidenciou a importância do trabalho em equipe e reforçou a distinção entre competência e conteúdo. “A Base sinaliza para o Brasil inteiro o que deve ser aprendido em cada idade, sem descuidar das particularidades de cada região. A maioria das competências gerais somente fazem sentido se trabalhadas coletivamente”.

“Para isso, é necessário investirmos fortemente na ética, ou seja, no respeito às diferenças do outro. Educar, do latim, significa ‘levar de dentro para fora’. Assim, além da perspectiva profissional, a educação visa a formar pessoas com amplas perspectivas de mundo, que saibam fazer escolhas e enfrentar os desafios e as dificuldades da vida”, arrematou Janine, Professor Titular de Ética e Filosofia Política da USP.

A formação de professores foi outro tema bastante discutido durante o bate-papo. As questões levantadas pelos debatedores e pelo público envolveram, por exemplo, o distanciamento entre os cursos universitários e a realidade das escolas e a falta de atratividade da carreira docente.

“A Base propõe aos educadores que trabalhem a interdisciplinaridade, por meio de áreas do conhecimento. O bom professor não é apenas aquele que sabe resolver a equação de segundo grau, mas sim quem motiva o aluno a aplicá-la em outras coisas na vida”, afirmou Mozart Neves.

“Não podemos ver somente as falhas da educação brasileira. Há muito a fazer, mas também tivemos avanços nos últimos anos. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), por exemplo, tem apresentado melhorias. Em relação à formação dos professores, as universidades descuidaram um pouco dos elementos pedagógicos. Não basta dominar os aspectos teóricos de um conteúdo; é preciso saber ensiná-lo”, ponderou Renato Janine Ribeiro.

Assista abaixo à íntegra do bate-papo ou acesse nosso canal do YouTube. Mais informações na página do evento.

Sobre a BNCC

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento normativo que define as aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver durante a Educação Básica. Homologada em dezembro de 2017, a BNCC para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental norteia os currículos e as propostas pedagógicas de todas as escolas brasileiras.

O documento tem como pilares dez competências gerais, definidas como a “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.” São elas: conhecimento; pensamento científico, crítico e criativo; repertório cultural; comunicação; cultura digital; trabalho e projeto de vida; argumentação; autoconhecimento e autocuidado; empatia e cooperação; e responsabilidade e cidadania.

 
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